O 7º ano (11º ano de escolaridade) deu a conhecer o seu projecto para o Colégio, como alunos e futuros graduados. Na brilhante Récita, que decorreu na primeira semana do 2º período de aulas, nos dias 5, 7 e 8 de Janeiro, passaram uma mensagem clara e muito forte a toda a família colegial. O Curso de 2003 "Por um Colégio de excelência, tradição, exemplo e exigência".
Esta Récita pretende ser uma prolepse.
Nesta peça, mostramos uma notícia que anuncia o fim do Colégio Militar, precedida de algumas notícias sobre o mesmo. Tem como objectivo ser o motor que irá levar o espectador a descobrir todos os motivos pelos quais o Colégio fechou. Desta forma, já alertados dos erros cometidos no passado, podemos desde hoje mudar, rumo a um Colégio de Excelência que perdure por muitos e largos anos.
No Auto, desejamos satirizar alguns defeitos, virtudes e comportamentos dos professores que estão a ser "julgados". Mas no meio de tanto humor, relevam-se pormenores da maior importância e seriedade.
O antagonismo que surge entre o anjo e o diabo é propositado, pois nele se revela um problema real e bastante preocupante que é a profunda transposição das altercações entre professores para o ambiente colegial. O Colégio não pode evoluir em termos de competência e profissionalismo educacional enquanto persistir esta constante deterioração das relações de quem transmite valores e molda o conhecimento, afinal, o carácter dos nossos alunos.
Ilustrar os factores externos que atacam o Colégio (lobbies) é o propósito desta peça. Podemos constatar que por vezes mesmo opostos (activistas políticos / empresário capitalista), estes "lobbies" dispõem-se a usar tudo o que estiver ao seu alcance para servir interesses próprios que muitas vezes colidem com esta instituição.
Através da mudança de atitude do Ministro da Defesa, à medida que a trama se vai desenrolando, queremos representar a crescente fragilidade que existe por parte do poder político em relação a todas as pressões a que está sujeito, acabando também por ser um crítica à sociedade em que nos inserimos. No entanto, podemos deparar-nos com duas personagens que tentam, a todo o custo, travar os constantes ataques a que estamos expostos: um jornalista antigo aluno quem usando a sua influência nos "media", consegue minimizar a dimensão dos consecutivos escândalos que afectam a vida colegial; e ainda o Chefe Estado Maior do Exército, que continua a acreditar no projecto desta casa pelo seu cariz militar, embora comece a perder a capacidade de a defender pela evidente escassez de argumentos que contrariem os factos reais, infelizmente muitas vezes deturpados pelos órgãos de comunicação social.
Não é nossa intenção descredibilizar estes "lobbies", pois são reais e fortemente activos. Todavia, a única solução para fazermos frente a este obstáculo é claramente obrigá-lo a esvairse, por morte natural ou falta de "alimento", ou seja, é absolutamente necessário sermos o mais prudentes possível para evitarmos percalços que continem a denegrir a imagem e a atentar contra a sobrevivência do Colégio Militar.
Embora seja a pela mais satírica, este programa não deixa de focar aspectos sempre passíveis de serem corrigidos no funcionamento do Colégio. Desde os preços demasiadamente elevados da Cantina até aos problemas da CEGRAF, entendemos ser possível melhorar bastante a organização de várias estruturas que, de uma forma ou de outra, acabam por não servir na máxima plenitude os interesses de toda a Família Colegial. No entanto, é sem dúvida abordado um assunto de extremo relevo que, infelizmente, cada vez se manifesta em mais alunos: a postura incorrecta, a falta de educação e o escasso brio são flagelos sociais que corrompem os valores instituídos pela vivência colegial.
Esta é a pela que resulta de uma instropecção feita por nós, enquanto ALUNOS, e que visa tocar numa realidade que tentamos insistentemente fazer passar por inexistente e irrelevante, enquanto na verdade, pura e duramente, é a realidade que se vive no nosso dia-a-dia e que está no seio de todas as nossas alterações a nível de valores e na nossa conduta: é a cultura de mediocridade que tem vindo progressivamente a substituir muitos dos nossos princípios que sempre regeram a postura de um Menino da Luz; por mais que tentemos negá-lo, essa cultura de mediocridade existe efectivamente, e só assumindo-a como nossa culpa ("Mea Culpa") e combatendo-a, se pode conduzir o Colégio à Excelência, única forma de existência que o Colégio pode admitir e, obviamente, também a única possibilidade de recuperar o bom nome do Colégio, que atravessa, actualmente, tempos muito difíceis perante a nossa sociedade.
O título traduz o grande dilema que nos é colocado. É este o momento da decisão final, da escolha entre os dois caminhos passíveis de serem trilhados. As duas portas que compõem o cenário desta peça sugerem isso mesmo.
Em jeito de conclusão, pretendemos acentuar a gravidade da situação do Colégio e a necessidade emergente de agir e mudar, O Colégio necessita de uma família colegial, principalmente de alunos, com visão, espírito crítico e, sobretudo, coragem e audácia. Agora, mais do que nunca, precisamos de nos unir para reconstruir um Colégio de Excelência, tendo como pilares a Tradição, o Exemplo e a Exigência.
Obrigado pela sua presença,
O Curso 2003/2004.
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