"Meus caros 112"

21Nov2010

Do 112 do Colégio Militar, José Manuel Soares de Oliveira, rata do curso entrado em 1936, para todos os seus sucessores:

112/43 – Humberto Iva Andrade da Silva Delgado
112/50 – António José Passanha Braancamp Sobral
112/56 – Fernando Manuel de Oliveira Vargas de Matos
112/64 – Henrique Manuel Vilela da Silveira Borges
112/69 – José Manuel Correia de Araújo
112/76 – Reinaldo Alberto Moreira Rodrigues de Noronha
112/86 – Gonçalo Filipe Cordeiro Azevedo
112/90 – João Henrique Andrade Cardoso
112/98 – André Gonçalves Leal
112/02 – Manuel Cabeça Ramos Correia Araújo
112/07 – João Francisco Alves Tavares Belo

Lisboa, 5 de Novembro de 2010

Meus caros 112

Sou o mais velho dos 112 ainda vivos.
Fui no passado dia 29 de Outubro à reunião da Velha Guarda, no Colégio.
Ia preparado com um livro de que gostara, o “1808”, sobre a ida de D. João VI para o Brasil e a transformação daquela colónia num país independente fabuloso, país em que vivi e trabalhei uns anos. O livro era uma lembrança para o actual 112, que eu não tinha o prazer de conhecer, e para quem escrevi uma dedicatória.
Mas nenhum 112 se apresentou à Velha Guarda!
Desloquei-ma ao gabinete do oficial de dia, onde tinha apercebido uma série de quadros com os números e os nome dos actuais alunos, e, após uma consulta minuciosa, tivemos de chegar à conclusão de que neste momento não há nenhum 112 no Colégio. Há 111 e há 113, mas o 112 desapareceu!
Que fazer?
De conversa acidental com outro antigo aluno da Velha Guarda que também ali se encontrava, o 34/48, cheguei à conclusão que um seu irmão tinha sido 112, o António José Braancamp Sobral, e lembrei-me por isso de lhe pedir o favor de lhe entregar o livro que tinha sido pensado para o actual 112!
Sempre se mantinha viva a tradição e o elo de ligação aos sucessores!
E depois pensei que seria giro dum ponto de vista colegial saudar-vos a todos.
Procurei os dados que existem no “Quem é quem”, e procurei igualmente, mas por outras vias, os dados que ali não existem. Creio que os apanhei todos!
Dos 112 mais antigos do que eu, conheci o meu antecessor directo, o Manuel António da Costa Botelho, entrado em 1929, que era veterinário e que fez a sua carreira profissional por Angola.
Conheci também o 112 entrado em 1909, o General António Miguel Monteiro Libório, contemporâneo do meu Pai no Colégio, e que era o Comandante Militar de Angola no dia 4 de Fevereiro de 1961, quando se declarou a guerra de independência daquela antiga Província Ultramarina, onde por acaso eu trabalhava na altura. O General Libório, que já havia comandado as Forças Terrestres no Estado da Índia nos conturbados anos de 1955 a 57, exerceu as ditas funções de Comandante Militar em Angola de Setembro de 1959 a Junho de 1961, altura em que foi substituído por outro ex-aluno, o malogrado e valoroso General Carlos Lopes da Silva Freire, 246/1917 (para os interessados nestes temas, ver no Google artigos publicados nos números de Maio e Novembro de 2007 da Revista Militar).

Esta missiva é o abraço que a todos gostaria de dar, no respeito pelas tradições colegiais.
Estou às vossas ordens se alguém tiver qualquer outra ideia sobre esta celebração.
Aqui vos proponho um zacatraz como um acto de gratidão e como uma manifestação de esperança no futuro do Colégio que nos formou para a vida.

Para todos e para cada um, um abraço de muita amizade

José Manuel Soares de Oliveira
(112/36)

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