"3 de Março" de 2010

10Mar2010

Como é da tradição as comemorações de mais um aniversário do Colégio Militar, o 207.º, começaram pelo acender da chama e pelas palavras proferidas pelo Presidente, Martiniano Gonçalves (9/1958), perante o Batalhão Colegial, formado na Parada Nova.

Depois de saudar o Director do Colégio Militar, o Presidente da Associação começou por referir que «207 anos representam muito mais do que um simples aniversário. Representam VISÃO, representam DEDICAÇÃO e representam VALOR para a sociedade portuguesa».

De seguida explicou aquilo a que se queria referir: «A visão do seu fundador Marechal Teixeira Rebelo e todos os que continuamente souberam e ir adaptando a realidade Colegial às necessidades e modelos educativos que a sociedade foi procurando em mais de duzentos anos de mudanças, evoluções profundas…até mesmo revoluções! A estes visionários se devem estes momentos que celebramos. A dedicação de todos os que entenderam o verdadeiro significado que o Colégio tem e sempre o souberam apoiar e servir. Estou a pensar em notáveis Chefias das Forças Armadas que valorizaram a importância estratégica do Colégio para o Pais, estou a pensar em destacados Políticos com um entendimento profundo da realidade militar, estou a pensar em Professores que foram muito mais do que excelente professores e, não menos importante, estou a pensar em empregados do Colégio que se tornaram parte da nossa história. Só festejam 207 anos as instituições que sabem acrescentar valor à sociedade onde se inserem. Esse valor é representado pela qualidade da educação e pela qualidade de participação na sociedade que vem marcando o percurso dos seus Antigos Alunos».

Referiu-se, depois, à família colegial e à solidariedade e colaboração a que os estatutos da AAACM a obrigam salientando que «somos de facto uma grande Família, com raízes profundas, com valores comuns, donde constituirmos uma comunidade com uma identidade fortíssima», antes de lembrar os desafios que atravessamos – «da era da modalidade, a chamada era da globalização; da aproximação inevitável e benéfica entre Portugal e os Países de Língua Oficial Portuguesa; da competitividade global» e que «para os que tutelam, dirigem, ensinam e trabalham no Colégio o desafio é enorme. Exige-se-vos inovação, iniciativa, dedicação, determinação e persistência na acção. Convido-vos a estarem à altura da visão da dedicação e da capacidade daqueles que vos antecederam: pelo Colégio Militar não se pode passar sem se deixar uma marca importante para a educação dos alunos».

O Martiniano Gonçalves deixou estas considerações como um desafio à Família Colegial mas estendeu-o «para o poder politico e hierarquia militar que tutelam o Colégio a quem a História deixa o repto de, pela implementação das transformações indispensáveis à manutenção deste colégio como uma escola de excelência. Merecerem suceder àqueles que no passado tiveram a visão de a construir e de a conduzir na prestação de elevados serviços a Portugal»
E antes de citar as palavras de Barack Obama ao dirigir-se aos alunos no início do ano lectivo em que se tornou Presidente dos EUA, lembrou ao Batalhão que «não bastará usarem a Barretina na lapela para que a sociedade vos respeite: terão que fazer por vós próprios».

Palavras, ainda para os graduados lembrando-lhes o importante papel que têm «de ajudar os mais novos e continuarem a aprender e praticar a arte da liderança pelo exemplo, pelo sentido da responsabilidade e pela camaradagem, e não posso deixar, aqui, de vos louvar – a vocês graduados – pelo enorme esforço que, no corrente ano lectivo, têm vindo a fazer e o sucesso que estão a conseguir no desempenho das vossas funções».
E a encerrar as suas palavras lembrou: «Vou terminar como terminei a minha intervenção no ano passado. Sorriam para o futuro. O Colégio e Portugal precisam dessa confiança e desse sorriso».

Procedeu-se, depois, ao acender da chama pelo Aluno Comandante do Batalhão e pelo "Batalhãozinho acompanhados pelo Director do Colégio Militar, pela Direcção da AAACM e pelo Presidente da Associação de Pais.

Depois das cerimónias, o Batalhão Colegial deslocou-se para os Claustros, onde decorreu a segunda parte da cerimónia. Altura para o Director do Colégio Militar, Major-General Raúl Passos, proferir algumas palavras a propósito da data, começando por agradecer a presença dos presentes, para de seguida sublinhar: «Comemoramos os 207 anos de um projecto educativo iniciado em 1803 com o fundador, o Marechal Teixeira Rebelo, e que nos últimos anos tem procurado encontrar soluções que respondam ao actual contexto social, familiar e educativo sem, no entanto, perder a identidade, a especificidade e a singularidade da Instituição», lembrando depois que «Temos constatado que existem forças poderosas abertamente empenhadas em desacreditar os tradicionais pilares morais em que se apoia a nossa sociedade, atacando em nome da liberdade, do progresso e da modernidade os valores que nos orientam há mais de dois séculos. Muitas e variadas são as razões que os movem: interesses comerciais, fundamentalismos ideológicos ou aproveitamento mediático, agentes que desprezam a honestidade e a seriedade, para aclamarem o atrevimento e a turbulência».

E aproveitou para lembrar Santo Agostinho que num dos seus sermões disse «Os homens sem esperança, quanto menos preocupados estão com os seus pecados, tanto mais curiosos são sobre os pecados alheios. Não procuram corrigir, mas criticar. E, como não podem escusar-se a si mesmos, estão sempre prontos para acusar os outros».

Fez, ainda, questão de sublinhar que «Perante as múltiplas dificuldades, resistências, calúnias e incompreensões, e sem cair na tentação do comodismo ou do facilitismo fáceis, toda a comunidade colegial tem sabido garantir a perenidade dos alicerces institucionais do rigor, dos valores, e a qualidade do ensino praticado em que se orienta e se apoia, há mais de dois séculos, o nosso Colégio».

E não quis deixar de aproveitar a ocasião para recordar o primeiro antigo aluno morto em combate, o Alferes Luís das Neves Franco, que faleceu na Batalha do Buçaco, travada a 27 de Setembro de 1810, aquando da terceira invasão francesa, comandada pelo General Massena, e que é considerado o primeiro dos Antigos Alunos que deu a vida pela pátria.

A terminar as suas palavras dirigiu-se a todos sublinhando que «Contamos convosco e com o vosso trabalho, para que juntos possamos elevar ainda mais alto o prestígio do vosso Colégio. Ninguém como vós sabe como é difícil ser “Menino da Luz” e poucos em Portugal envergam uma farda de forma tão altiva, orgulhosa e responsável. Como vosso director vos digo, de forma sentida, que tem sido ao longo dos últimos quatro anos, um privilégio e uma honra, poder participar na maravilhosa aventura que é ver-vos crescer como Homens e cidadãos responsáveis».

No domingo houve o tradicional desfile, pela Avenida da Liberdade, que terminou com a missa rezada na Igreja de S. Domingos, transmitida em directo pela RTP1. À noite realizou-se o jantar de convívio entre os Antigos Alunos presentes.

Foram colocados filmes na Internet das fotografias em slideshow, do discurso do Presidente da Associação, das comemorações nos Claustros, uma visão global do fim-de-semana e da missa.

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