A exemplo do que aconteceu no ano passado, o Pestana Palace Hotel, em Lisboa, voltu a ser cenário do jantar de aniversário da AAACM, o 107.º, que teve uma participação ainda maior de Antigos Alunos, o que demonstra a disponibilidade da família colegial para se reunir e festejar a sua história.
A ocasião foi aproveitada pelo Presidente, Martiniano Gonçalves (9/1958), para fazer um balanço do mandato que termina em Março e anunciar que não será candidato a novo mandato, embora tenha assegurado que está a trabalhar na busca de uma solução de continuidade, para que o trabalho desenvolvido pela actual Direcção seja prosseguido.
O jantar serviu também para distinguir com os “Prémios Barretina”, alguns dos Antigos Alunos, e não só, que se distinguiram pelas mais diversas razões.
O “Prémio Barretina – Amigos do Colégio Militar”, que distingue personalidades que não são Antigos Alunos, mas que contribuíram pela sua acção para o sucesso do Colégio Militar, foi entregue ao servente António Xavier e ao Major-General Raúl Passos, antigo Director do Colégio Militar.
Francisco Xavier, entrou para o Colégio Militar a 11 de Março de 1955, como Servente Eventual e reformou-se a 29 de Novembro de 1990, depois de 35 anos de serviços prestados ao Colégio Militar.
«Ao longo destas 36 gerações de Ratas, o Xavier conheceu e conviveu com 3 563 alunos, o que representa mais de um quarto de todos os Alunos que passaram pelo Colégio. Queremos com este Prémio, para além de fazer justiça ao Xavier, simbolizar o nosso reconhecimento a todos os que, já mortos ou ainda vivos, na simplicidade da sua dedicação e amor ao Colégio contribuíram para a nossa felicidade e para as nossas vidas».
O Major-General Raúl Passos foi Director do Colégio Militar, entre Julho de 2006 e Agosto de 2010, onde «viveu por diversas vezes, debaixo de uma acentuada pressão mediática, uma das fases mais difíceis do Colégio dos últimos anos, tendo conseguido, mercê do seu equilíbrio, sentido do dever, boa gestão e envolvimento com o espírito do Colégio, contribuir de uma forma muito positiva para a imagem externa e para uma dinâmica reformadora e estruturante da Instituição. Os Antigos Alunos ficam a dever-lhe, entre outras, a persistência e envolvimento pessoal que pôs na conclusão do Protocolo de Cooperação entre o CM e a AAACM, assinado em 2009 por ocasião das comemorações do 3 de Março. Queremos com este Prémio, para além de lhe testemunharmos o nosso respeito e admiração pelas suas qualidades pessoais e profissionais, manifestar-lhe, principalmente, o nosso reconhecimento pelos relevantes serviços que prestou à causa do Colégio e pela agradável e profícua relação que soube estabelecer com a nossa Associação».
Pedro Queiroz Pereira, “Pêquêpê” (140/1959), António Gonçalves Alexandre (527/1974), Ângelo Felgueiras (498/1976) e António Brotas (30/1940) receberam o “Prémio Barretina – Colégio Militar no Mundo”
Pedro Queiroz Pereira foi condecorado, este ano, na inauguração de uma das maiores fábricas de papel do Mundo, pelo Presidente da República, com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Industrial, que na altura afirmou que «O Grupo Portucel é obra de muitos. Mas na base do grupo está a visão estratégica, a capacidade empreendedora, a capacidade de inovação e de realização de um homem, e penso que é de toda a justiça reconhecer publicamente o contributo que este homem tem dado para a criação de riqueza e emprego no nosso país».
A Direcção da AAACM decidiu atribuir-lhe o “Prémio Barretina – Colégio Militar no Mundo”, por «o seu sentido empreendedor, a sua persistência e determinação a que alia – no seu dizer – a sorte que o tem acompanhado, tornaram-no num dos grandes industriais de referência do universo económico português, facto que nos faz orgulhar-nos da sua condição de Antigo Aluno do Colégio».
Operado na véspera do jantar, o PQP esteve ausente, mas a recuperação está a correr bem e esperamos vê-lo entre nós no jantar do próximo ano.
António Alexandre é Oficial de Marinha e possui as mais diversas condecorações nacionais e internacionais tendo saltado para a ribalta quando «no comando da “Corte Real” foi, em 2009, em Londres, na Assembleia Geral da Reunião Anual da Organização Marítima Internacional, distinguido e premiado pelas acções envolvidas no combate à pirataria no Golfo de Aden, pelo que no meio da “malta” do Colégio foi baptizado “o caça piratas”. Pelas tarefas que, no âmbito da sua profissão, desempenhou com brilhantismo em representação de Portugal, o 527/74 dignificou a Casa onde foi educado, pelo que nos orgulhamos de com ele pertencermos à comunidade dos Meninos da Luz e o consideramos merecedor do nosso agradecimento e da atribuição deste “Prémio Barretina – Colégio Militar no Mundo”»
Ângelo Felgueiras é comandante da TAP (A-330 e A-340) e foi Presidente do Sindicato de Pilotos da Aviação Civil, o que não o impediu de se dedicar ao montanhismo e ao apoio a iniciativas de solidariedade.
«Tendo por incentivo escalar os maiores picos de cada continente, reunindo em cada escalada apoios para iniciativas concretas de solidariedade, já conseguiu resultados que o colocam na galeria dos maiores alpinistas da nossa História. Já escalou seis dos míticos “Seven Summits”: o Everest (na Ásia), o Aconcágua (América do Sul), o Denali ou McKimley (América do Norte), o Kilimanjaro (em África), o Elbruz (na Europa) e as Pirâmides de Carstensz (na Oceânia). Nesta última, foi o primeiro e até hoje o único português a alcançar o cume. Foi o segundo português a alcançar o topo do Everest, sendo o primeiro a consegui-lo pela face Sul.
Nas suas escaladas mais emblemáticas o Ângelo Felgueiras levou sempre a sua Barretina. Quando recebemos as arrepiantes “fotografias de cume”, com a Barretina em destaque sentimo-nos todos no topo do Mundo. Pelas já referidas iniciativas e pelo destaque que dá ao Colégio onde quer que se encontre, queremos com este Prémio manifestar-lhe o nosso orgulho por com ele sermos Meninos da Luz e o reconhecimento pela sua contribuição para a imagem e bom nome do Colégio».
António Brotas começou por ser assistente de Física no Técnico, mas em 1956 foi preso pela PIDE, por causa de umas cartas trocadas com um amigo que estave em Goa, para em 1957, apesar de absolvido, depois de ser julgado ter optado por emigrar, para passar os 12 anos seguintes fora de Portugal. Começou por ir para Paris, mas seguiria para o Brasil e daí para a Argélia, onde encontrou o General Humberto Delgado, também ele ex-aluno (398/1916), para regressar a França, onde fez mais um doutoramento, antes de voltar a Lisboa e ao Técnico, onde foi professor, tendo chegado a ser Secretário de Estado do Ensino Superior e Investigação Cientifica.
«É pois a este Menino da Luz que, orgulhosamente e pela riqueza da sua carreira no plano científico e pela sua coragem no combate pelas suas convicções, atribuímos hoje este Prémio Barretina».
Luís Esparteiro (227/1969) recebeu o “Prémio Barretina – Notoriedade”. Conhecido das novelas, começou na “Vila Faia”, a primeira telenovela nacional, no cinema entrou no filme “Camarate”, realizado pelo Luís Filipe Rocha (493/1958) e no teatro, como actor e encenador.
«Figura mediática, simpática, colaborando, frequentemente, com o Colégio e com a Associação, nomeadamente, na encenação das Récitas dos Alunos e na exploração do Teatro D. Luís Filipe, tem, em todas as intervenções públicas e entrevistas em que se proporciona, testemunhado o seu orgulho da sua condição de Antigo Aluno e as virtudes e os aspectos formativos da educação do Colégio, posicionamento que muito contribui para a difusão da imagem do Colégio», razões que justificam a entrega do Prémio.
Paulo Amaral (209/1974) recebeu o “Prémio Barretina – Associação – Servir o Colégio Militar”. Integra a Direcção da Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do CM, sendo Presidente da Direcção desde 2008.
«Nestes últimos cinco anos tivémos vicissitudes graves que geraram situações pontuais difíceis e um contexto de acção de risco permanente. Mais visível, ou agindo com discrição, o Paulo Amaral contribuiu com a sua capacidade, sabedoria e amor ao Colégio, para fazer frente a todas as dificuldades. Nos momentos críticos, que queremos esquecer, mas não devemos, toda a família Colegial apareceu unida e o Paulo Amaral muito contribuiu para isso. A AAACM e a Associação de Pais, com total independência cooperaram com grande eficácia na sua missão de servir o Colégio e em particular os Alunos, que em cada momento são a sua razão de existir. O nosso obrigado ao Paulo Amaral!”
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