Notícias

Homenagem a António Sérgio (178/1894), na efeméride do cinquentenário da sua morte

Homenagem a António Sérgio (178/1894), na efeméride do cinquentenário da sua morte.
 
A propósito da efeméride em 2019 do cinquentenário da morte do Antigo Aluno do Colégio Militar, António Sérgio de Sousa, 178/1894, divulga-se o seguinte:
 
1. Síntese Biográfica de António Sérgio de Sousa (178/1894)
António Sérgio de Sousa, 178/1894, foi dos pensadores mais marcantes do Portugal contemporâneo, com uma vasta obra que se estende da teoria do conhecimento, à filosofia política e à filosofia da educação, passando pela filosofia da história.
 
Escritor, pensador e pedagogo português, nascido em Damão (1883/09/03), Índia, a sua vida foi dedicada à reforma educacional em Portugal.
 
Filho de Almirante, em virtude de este ter sido Governador do Congo Português (Cabinda), passou a sua meninice em África, e só depois veio radicar-se em Lisboa (1893).
 
Já em Lisboa, seguindo uma linhagem de familiares militares, estudou no Colégio Militar onde foi o 178/1894.
Posteriormente, inicia a carreira de oficial da Marinha, tendo feito várias viagens que o levaram a Cabo Verde e a Macau.
 
Abandonou a Marinha com a implantação da República em 1910, por ter jurado fidelidade ao rei deposto.
Casou com Luísa Epifâneo da Silva (que assinou escritos pedagógicos como Luísa Sérgio), com quem teve uma grande camaradagem intelectual.
 
As suas duas primeiras obras publicadas foram um volume de Rimas e uma obra filosófica sobre Antero de Quental onde reagiu contra o naturalismo positivista.
 
Em 1912 concorreu para lente assistente da secção de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, num concurso a que também se apresentaram Leonardo Coimbra e Matos Romão, que haveria de ser nomeado.
 
Após estudos de pós-graduação no Instituto Jean-Jacques Rousseau (1914-16), grande centro mundial do movimento da Escola Nova, onde estudou com a sua mulher, e onde privou com Édouard Claparède e com Adolphe Ferrière, participou no mais consequente projeto de reforma do Ensino Português elaborado durante a Primeira República (Projecto Camoesas).
 
A sua vida aventurosa fê-lo viver em diversos lugares (Lisboa, Rio de Janeiro, Londres, Genebra, Paris, Santiago de Compostela, Madrid) o que favoreceu o seu assumido cosmopolitismo.
 
Durante o consulado sidonista (1918-19), lança a revista Pela Grei (1918-1919), para a qual convoca diversos especialistas para apresentar um programa de Fomento Nacional (tendo a parte económica sido bastante trabalhada por Ezequiel de Campos); nos anos de 1920 integra a direção da Seara Nova (junto com Raul Proença e Jaime Cortesão) e é nesse quadro que vem a integrar o governo de Álvaro de Castro (1923), assumindo a pasta da Educação, com o principal propósito de criar uma Junta de Ampliação de Estudos, organismo autónomo que enviaria sistematicamente bolseiros ao estrangeiro para estudar, e que financiaria institutos de investigação e escolas modernas (o projeto foi executado, sem a componente pedagógica e sem o espírito democrático que inspirava Sérgio, em 1929, com a criação da Junta de Educação Nacional, antepassado do Instituto de Alta Cultura, do INIC e da FCT).
 
Com o fim da Primeira República, vê-se obrigado ao exílio, residindo em Paris de 1926 até 1933.
 
De volta ao solo pátrio, tornou-se um dos principais nomes do movimento cooperativista e do socialismo democrático; entre os seus companheiros de luta contaram-se Alves Correia, Mário Azevedo Gomes, José Régio, Bento de Jesus Caraça (com quem travou uma polémica sobre a interpretação de Platão, cerca de 1945, onde a tensão entre marxismo e proudhonismo e idealismo racionalista está implícita), Manuel Antunes e muitos outros vultos da cultura portuguesa.
 
A importância das suas ligações políticas nota-se perfeitamente nessa época. Sérgio fez parte do Movimento de Unidade Democrática, juntamente com nomes como Alves Redol, o General Norton de Matos, Ruy Luís Gomes e Bento de Jesus Caraça (oposicionistas e excecionais matemáticos), Irene Lisboa, Fernando Lopes Graça, Ferreira de Castro, Abel Salazar, Miguel Torga, Maria Lamas, Pulido Valente, Vitorino Magalhães Godinho, Mário Dionísio e Francisco Salgado Zenha (à data ainda estudante) e muitos outros.
 
Apoiou a candidatura de Humberto Delgado e desenvolveu ampla campanha em prol da cultura.
 
A partir de 1959, abandonou a intervenção cívica ativa e a pena de escritor, vindo a falecer em Lisboa a 24 de Janeiro de 1969.
 
Na sua doutrina sobre o socialismo cooperativista, destaca-se que Antonio Sérgio considerava secundário o valor atribuído pelos republicanos à reforma das instituições políticas, desde que tais reformas parassem na esfera política, sem abarcarem a esfera económica e social, surgindo-lhe o cooperativismo como a forma de organização social mais consentânea com a sua conceção do homem como ser ativo e criador.
 
À socialização sob a omnipotência do estado, preferiu a socialização pelas cooperativas, pondo a faina sob a ação do povo e não de políticos ou de partidos.
 

Portugal, reconhecendo-lhe a sua importância, como podemos facilmente constatar, nomeadamente na obra do nosso camarada Costa Matos, o seu nome perdura em inúmeros locais da toponímia portuguesa.

Deixa um comentário

Certifica-te de introduzir todas as informações necessárias, indicadas por um asterisco (*). O código HTML não é permitido.